Portugal reúne este ano 438 praias, marinas e embarcações distinguídas com Bandeira Azul - menos seis do que em 2025 -, espalhadas por 100 concelhos, com destaque para o município da Sertã, que apresentou candidatura pela primeira vez, informou esta quinta-feira a Associação Bandeira Azul.
Números e distribuição dos galardões Bandeira Azul
A informação foi avançada no Centro de Interpretação Ambiental da Pedra do Sal, no Estoril (concelho de Cascais, distrito de Lisboa), pelo presidente da Associação Bandeira Azul da Europa, José Archer. Para a próxima época balnear, vão hastear a bandeira azul 396 praias - 350 costeiras e 46 interiores. Face ao ano anterior, foram distinguidas menos oito praias.
"Tivemos menos galardões que no ano passado, mas isso também teve a ver essencialmente com as condições climatéricas que ocorreram durante a época balnear, que penalizam sempre a qualidade da água balnear, portanto não há uma situação preocupante, é uma situação pontual", disse José Archer à agência Lusa. Em 2025, foram atribuídos no total 444 galardões, sendo distinguidas 404 praias, 18 marinas e 22 embarcações ecoturísticas.
Transição de critérios da Bandeira Azul até 2027
De acordo com o responsável, a principal novidade prende-se com o facto de 2026 ser um ano de transição nos critérios de atribuição da bandeira azul, que passarão a ser diferentes a partir de 2027. "Vamos ter mais critérios e vamos ter uma metodologia diferente com auditores externos na validação das candidaturas." É um ano de transição "[...], tem a ver com a nova diretiva do consumidor que entra em vigor em setembro", explicou José Archer.
Para garantir que novas praias - e possíveis reentradas - possam candidatar-se em 2027, será aberto ainda este ano um período extraordinário de candidaturas, em julho e agosto. As propostas seguirão depois para apresentação e avaliação na reunião do Júri Internacional, marcada para 16 de setembro.
Portugal no ranking internacional e os 40 anos do programa
No plano internacional, José Archer recordou que Portugal mantém um desempenho "muito destacado": ocupa "o quinto lugar a nível das praias costeiras galardoadas" e surge "em segundo lugar a nível mundial" em praias do interior. "Considerando a dimensão do nosso território, é francamente gratificante e é, de facto, o resultado de todo o trabalho e da alteração de comportamentos que as pessoas têm hoje em dia", sublinhou.
No ano em que o programa Bandeira Azul assinala 40 anos, o dirigente salientou ainda que a Praia de Mira é a única com o galardão durante os 40 anos. A razão, explicou, prende-se com o facto de, "em 1992, devido a uma greve dos laboratórios", o Algarve não ter tido praias distinguidas.
Primeira bandeira azul vai ser hasteada em Mira
Entre as novas praias do Norte galardoadas com bandeira azul constam:
- Foz do Lima (Viana do Castelo)
- Rodanho (Viana do Castelo)
- Agudela Sul (Matosinhos)
- Meia Laranja (Matosinhos)
Já no Tejo, passou a integrar a lista a Ribeira Grande (Sertã). No Alentejo, entrou Oriola (Portel). No Algarve, foram agora distinguidas a Albufeira de Odeleite (Tavira) e a Praia do Lago Verde (Castro Marim).
No conjunto das praias que deixaram de ter o galardão, surgem, a Norte, Cavadinho (Braga), Praia do Arquiteto Albino Mendo (Mirandela) e Espinho-Baía. Na região Centro perderam a distinção Cornicovo (Penacova) e Cova Gala Hospital (Figueira da Foz).
Na zona do Tejo, deixaram de hastear a bandeira azul as praias de Moitas, Tamariz e Poça (Cascais), a Praia Fluvial do Sorraia (Coruche), Álvares (Góis), Santa Luzia, Pessegueiro, Praia da Pampilhosa da Serra e Porto da Calada (Mafra). No Algarve saiu a Praia dos Pescadores, em Albufeira.
Nos Açores foram distinguidas 45 praias costeiras - menos uma do que no ano passado -, com a perda do galardão na Calheta dos Lagadores (Praia da Vitória, ilha Terceira). Na Madeira foram reconhecidas 17 praias, todas costeiras, verificando-se igualmente uma saída: a praia da Calheta, em Porto Santo.
O primeiro hastear da bandeira azul costeira está previsto para a Praia de Mira, a 8 de junho. Já a 13 de junho será içada na praia fluvial de Mourão, no Alentejo.
A primeira marina a hastear a bandeira azul será a de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, Açores, no dia 15 de junho. Foram ainda reconhecidos 31 Centros Azuis (estruturas de informações e atividades de educação ambiental localizados nas proximidades das praias), distribuídos por todas as regiões.
Há praias com período “excecional” para hastear bandeira azul
As praias que não conseguem repor o areal antes do arranque da época balnear, devido às tempestades que atingiram Portugal entre janeiro e fevereiro, beneficiam de um período “excecional” para hastear a Bandeira Azul. "Em muitas zonas sim, [o comboio de tempestades] afetou [muitas praias], porque causou bastantes estragos, alguns de areia. As praias praticamente ficaram sem areia”, explicou José Archer.
Segundo o presidente da Associação Bandeira Azul da Europa, o mar “vai repondo” as areias, mas em determinados casos não se espera que isso aconteça antes do início da época balnear, embora as autarquias estejam “a fazer um esforço grande”.
“Há também acessos, obras de contenção, arribas, etc. que estão em estado mais crítico e que estão a ser intervencionadas. Nós esperamos que tudo esteja pronto a tempo. Aliás, este ano vamos ter um regime excecional para as zonas de calamidade, para poderem hastear mais tarde, se o decurso das obras não permitir que esteja tudo em condições para o período normal de hastear”, afirmou.
O responsável admitiu que, em alguns sítios, “é capaz de ser difícil” regressar ao estado anterior, mas considerou positivo o facto de “que a Bandeira Azul também aumente a pressão para que tudo esteja pronto na hora certa”. Ainda assim, a atribuição do galardão para a época balnear não ficará comprometida, uma vez que existem “motivos justificados”.
“Aliás, as praias não ficaram sequer condicionadas, portanto, têm um período mais extenso, mais alargado para o hastear da bandeira. Se não o conseguirem, será justificado […]. Isso não é imputável ao promotor, não é imputável à autarquia, é com certeza fruto das circunstâncias”, esclareceu. As situações dizem sobretudo respeito a praias do norte e do centro: “De longe foram as mais afetadas. Há zonas onde, de facto, os estragos foram muito consideráveis”, indicou José Archer.
Uma praia distinguida com bandeira azul cumpre vários critérios, incluindo a qualidade da água e do espaço (ordenamento), segurança e serviços, vigilância e sensibilização das pessoas (educação ambiental).
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