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Qualidade da dieta à base de plantas e risco de Alzheimer e demência

Mulher sénior a desenhar num caderno enquanto está à mesa com comida saudável e bebida.

Muita gente ouve a expressão “dieta à base de plantas” e parte do princípio de que está automaticamente a fazer uma escolha saudável. Mais vegetais e menos carne - parece uma fórmula simples. Mas esta ideia deixa escapar um ponto essencial.

Nem todas as dietas à base de plantas são iguais e algumas podem estar longe de trazer os benefícios que muitos imaginam.

De acordo com investigação recente, a diferença realmente relevante parece depender do tipo de alimentos de origem vegetal que se colocam no prato.

Quando a dieta à base de plantas corre mal

Os investigadores analisaram três formas de seguir uma dieta à base de plantas. Numa delas, o critério era apenas consumir mais alimentos vegetais do que produtos de origem animal.

Outra dava prioridade a escolhas consideradas mais saudáveis, como fruta, legumes, cereais integrais, frutos secos e leguminosas.

A terceira incluía com maior frequência opções mais processadas, como pão branco, sumo de fruta e açúcar adicionado.

Ou seja, nem todos os alimentos vegetais têm o mesmo impacto no organismo. Uma alimentação carregada de hidratos de carbono refinados e bebidas açucaradas continua a ser “à base de plantas”, mas isso não a torna saudável.

O que os investigadores observaram nos dados

O estudo acompanhou 92,849 adultos, com uma idade média inicial de 59 anos. Participaram pessoas afro-americanas, nipo-americanas, latinas, havaianas nativas e brancas. A monitorização prolongou-se por cerca de 11 anos.

Durante esse período, 21,478 participantes desenvolveram doença de Alzheimer ou outra forma de demência.

Quando os investigadores compararam os padrões alimentares, surgiram tendências evidentes. Quem consumia mais alimentos vegetais no total apresentou um risco de demência 12 por cento inferior face a quem consumia menos.

Entre os participantes que privilegiavam alimentos vegetais de melhor qualidade, a redução do risco foi de sete por cento. Em contraste, os que tendiam a escolher mais alimentos vegetais processados registaram um risco seis por cento superior.

O que acontece quando a alimentação muda

Os hábitos alimentares não ficam parados no tempo. As pessoas ajustam o que comem ao longo dos anos, e o estudo conseguiu captar também essa evolução.

Num subgrupo de 45,065 participantes que actualizaram a alimentação ao fim de 10 anos, 8,360 desenvolveram demência mais tarde. A direcção da mudança na dieta mostrou-se determinante.

Quem passou a consumir mais alimentos vegetais de pior qualidade teve um risco de demência 25 por cento mais elevado. Já os participantes que se afastaram desse padrão apresentaram um risco 11 por cento inferior.

Como os especialistas encaram a dieta à base de plantas

Este trabalho junta-se a um conjunto crescente de estudos que exploram a relação entre alimentação e saúde cerebral.

“Plant-based diets have been shown to be beneficial in reducing the risk of diseases like diabetes and high blood pressure, but less is known about the risk of Alzheimer’s disease and other dementias,” disse a Dr.ª Song-Yi Park, da Universidade do Havai.

“Our study found that the quality of a plant-based diet mattered, with a higher quality diet associated with a reduced risk, and a lower quality diet associated with an increased risk.”

As conclusões sugerem ainda uma implicação prática. “We found that adopting a plant-based diet, even starting at an older age, and refraining from low-quality plant-based diets were associated with a lower risk of Alzheimer’s and other dementias,” disse a Dr.ª Park.

“Our findings highlight that it is important not only to follow a plant-based diet, but also to ensure that the diet is of high quality.”

Como isto pode influenciar a sua alimentação

Este estudo não demonstra que uma dieta à base de plantas - ou a comida, por si só - determine quem vai desenvolver demência. Mostra, isso sim, uma associação. Ainda assim, está alinhado com aquilo que os cientistas vêm a observar há algum tempo.

Quando a alimentação é composta maioritariamente por alimentos integrais e pouco processados, o coração tende a beneficiar. E o cérebro depende muito dos mesmos factores. O fluxo sanguíneo, os níveis de açúcar e a inflamação influenciam o envelhecimento.

Por isso, as escolhas pequenas contam. Optar por arroz integral em vez de arroz branco, comer uma maçã em vez de beber sumo, escolher frutos secos em vez de algo muito açucarado. Trocas simples, repetidas, acabam por somar.

Ninguém come de forma perfeita todos os dias - e esse não é o objectivo. O que pesa mais é o padrão que se mantém na maior parte do tempo.

A qualidade da dieta faz a diferença

O estudo baseou-se em questionários alimentares preenchidos pelos participantes, o que implica alguma margem de erro - as pessoas nem sempre se recordam com precisão do que comeram, sobretudo ao longo de períodos longos.

Ainda assim, devido ao tamanho da amostra e ao acompanhamento prolongado, os padrões observados tornam-se relevantes.

A longo prazo, a mensagem não é sobre um único alimento “protetor do cérebro” nem sobre uma solução rápida. Em vez disso, este trabalho reforça a ideia de que a qualidade da alimentação é importante.

Aumentar o consumo de alimentos à base de plantas é um bom ponto de partida, mas escolher as opções vegetais certas pode ser o factor que realmente faz a diferença.

O estudo completo foi publicado na revista Neurology.

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