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Paladares do Mundo: Halušky com bryndza e bacon

Pratos de massa recheada com molho cremoso e pedaços de bacon, com mãos a servir à mesa de madeira.

Paladares do Mundo é uma rubrica publicada semanalmente na Notícias Magazine.

Ingredientes

  • 5 batatas médias
  • 500 g de farinha (sem fermento)
  • 1 ovo
  • Sal q.b.
  • 100 g de bacon (com gordura)
  • 200 g de queijo de ovelha mole (o original é bryndza, mas o queijo da Serra também resulta)

Preparação

Bacon frito

Corte o bacon em cubos com cerca de 1 cm e leve-o a uma frigideira, em lume médio-baixo, com a tampa colocada. Deixe alourar lentamente até ganhar uma cor castanha. Se o bacon tiver pouca gordura, junte um pouco de banha apenas para untar o fundo da frigideira.

Halušky (bolinhos de batata)

Rale ou triture as batatas até ficarem em pasta. Adicione o ovo, a farinha, uma pitada de sal e um pouco de água, mexendo até obter uma massa solta e relativamente fluida.

Entretanto, numa panela grande, ferva água com sal. Vá deixando cair pequenas porções de massa na água a ferver. Existe um utensílio específico para este corte: a máquina de cortar Spätzle (designação alemã para halušky). Quando todos os halušky estiverem a cozer, aguarde cerca de cinco minutos, até que firmem.

Retire cerca de duas colheres de sopa da água da cozedura e envolva-a com o queijo de ovelha, para conseguir uma textura cremosa. Escorra os halušky e, mesmo antes de servir, misture-os com o queijo e o bacon.

Encher a barriga e surrupiar o "vizinho"

"Desde criança que este é o meu prato favorito. Cresci com dois irmãos (somos trigémeos idênticos) e, com quatro homens em casa, era preciso uma refeição grande para nos encher a barriga. A minha mãe é da região de Liptov, no norte da Eslováquia - a terra natal deste prato - e levou a receita de família quando se mudou para Bratislava. Quando era pequena, os pais e irmãos dela comiam isto todas as semanas, porque era barato e a carne era difícil de encontrar. Faziam uma grande tigela, colocavam-na no centro da mesa e comiam diretamente dela, todos juntos. O meu avô não gostava muito dos škvarky (bacon), por isso empurrava-os para o lado - e nós, os três miúdos, queríamos sempre sentar-nos ao lado dele para comer mais. Na minha família atual, servimos em pratos individuais, para evitar "roubos de škvarky"! Já é quase tradição a minha mãe dizer: "Fiz tantos que acho que vão sobrar". Só que 15 minutos depois... não sobra nada. Uma das dificuldades de me mudar para Portugal foi perceber que há muitos produtos tipicamente eslovacos difíceis de encontrar aqui. Achei que só voltaria a provar halušky e bryndza [queijo de ovelha mole] quando visitasse a família, duas vezes por ano, mas a minha namorada sugeriu experimentar com queijo da Serra. A consistência não era igual, mas com o truque da água da cozedura, conseguimos o resultado ideal. Diria que o sabor fica 90% igual ao da Eslováquia - e, sinceramente, melhor do que o de quase todos os restaurantes de Bratislava!"

Michal Smolik
Programador
31 anos | Bratislava (Eslováquia)

"Mudei-me para o Porto para estar com a minha namorada. Conhecemo-nos em 2019: ela era guia turística, eu um turista. Mantivemos contacto, ela foi visitar-me à Eslováquia, apaixonámo-nos e foi difícil manter um relacionamento à distância durante o confinamento. Ela decidiu mudar-se para Bratislava, onde vivemos durante três anos. Contudo, teve dificuldades com a burocracia e a situação política, então decidimos mudar-nos para o Porto. Agora, sou programador numa empresa portuguesa, tento falar português com os vizinhos e apoio o F. C. Porto religiosamente."

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